segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Viajei com: Incidente em Antares - Érico Veríssimo

Oi, tudo bem com vocês??? Hoje irei compartilhar com vocês minha experiência de leitura de Incidente em Antares de Erico Veríssimo. O livro foi lançado em primeiramente em 1971, e aborda a temática do fantástico e do sobrenatural, o chamado Realismo Fantástico. 
Embora a cidade seja fictícia, as críticas abordadas são feitas a uma sociedade bem real, tal como nós conhecemos. O livro é dividido em duas partes.
Na primeira parte, “Antares”, nos é contado à história de Antares, e também a do Rio Grande do Sul e do Brasil, com suas lutas e suas lendas, tudo isso através da história das duas famílias que controlam a política da cidade e a rixa entre elas, os Campolargo e os Vacariano, que começou com Anacleto Campolargo e Chico Vacariano. Existem algumas cenas repulsivas, outras apimentadas. A primeira parte nos conta também o fim dessa rixa, em face da ameaça comunista, como é conhecida na cidade a classe operária, que reivindica seus direitos.
Antares é como qualquer cidade pequena do Brasil, economia agropastoril, teve seus coronéis, que mandavam e desmadavam, nesse caso os Campolargo e Vacariano.
Na segunda parte, “O Incidente”, é narrado o "incidente" propriamente dito, que se passa no ano de 1963, ou seja, pouco tempo antes do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil, que durou quase 20 anos.
O clima político e econômico do país nessa época está muito tenso e conturbado. A inflação é “galopante”, o aumento dos preços é constante, e os trabalhadores decidem deflagrar uma greve geral, mas geral mesmo, até os coveiros entram na greve. Nesse período de greve acabam falecendo 7 pessoas, um número alto para uma cidade tão pequena, com menos de 20.000 habitantes:

- Quitéria Campolargo: a matriarca da cidade, que morreu do coração.

- Barcelona: o sapateiro anarquista, também vítima de um ataque cardíaco.

- Cícero Branco, o influente advogado vitimado por um AVC.

- João Paz, jovem pacifista que foi impiedosamente torturado até a morte pela polícia.

- Pudim de Cachaça, bêbado envenenado pela mulher.

- Menandro Olinda, o genial pianista, gravemente deprimido, que se suicidou, cortando os pulsos.

- Erotildes, prostituta, vítima de tuberculose.

Durante o cortejo de Dona Quitéria, os Campolargo são impedidos de sepultá-la, pois os coveiros, em greve, cercam o cemitério, impedindo o enterro, e desta forma, aumentam a pressão sobre os patrões, até aí beleza. Mas os mortos não sepultados, por algum motivo não explicado, levantam e vão exigir que eles sejam sepultados... Mas devido à greve isso não é possível, como forma de protesto os mortos tomam o coreto da praça e acabam revelando, então, a podridão moral da sociedade, desde casos extraconjugais a roubalheira da politica local. Como as personagens são cadáveres, estão livres das pressões sociais e podem criticar à vontade a sociedade.
Pode parecer que eu contei todo o livro... ERRADO, esse ínfimo resumo, não chega nem aos pés desse livro MARAVILHOSO, muito bem escrito, e não faz jus as incríveis críticas abordadas em suas páginas. Fica mega ultra super recomendado.
Em 1994, a Rede Globo apresentou a minissérie Incidente em Antares, adaptada por Charles Peixoto e Nelson Nadotti, e baseada no romance de Érico Veríssimo. A minissérie teve a direção de Paulo José e contou com os atores Fernanda Montenegro e Paulo Betti no elenco, entre outros, que traz apenas a segunda parte do livro, mas que ficou muito boa, recomendo.
Espero que vocês tenham gostado.
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