segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Viajei com: O Caminho de Casa - Yaa Gyasi - PLM #26



Tudo bem??? No post de hoje iremos conversar sobre o sensacional “O Caminho de Casa” de Yaa Gyasi. Esse é o romance de estreia da autora ganesa, sendo publicado em 2016, chegando no Brasil em 2017 pela Editora Rocco, com tradução Waldéa Barcellos. E foi lido para representar Gana no “Projeto Lendo o Mundo”.
  


Sinopse: “Com uma narrativa poderosa e envolvente que começa no século XVIII, numa tribo africana, e vai até os Estados Unidos dos dias de hoje, Yaa mostra as consequências do comércio de escravos dos dois lados do Atlântico ao acompanhar a trajetória de duas meias-irmãs desconhecidas uma da outra, e das gerações seguintes dessa linhagem separada pela escravidão”.




O livro aborda uma temática extremamente necessária, ainda mais depois dos eventos de Charlottesville. De forma marcante, direta e impactante a autora retrata os males advindos da escravidão, males esses passados através das gerações, bem ao estilo:



A narrativa se passa em Gana no início do século XVIII. Maame, uma mulher da tribo Ashanti, fugindo de um ataque da tribo Fante, acaba se separando de sua filha Effia, deixando-a para trás aos cuidados da segunda esposa do seu marido. Maame é abrigada em outra tribo, onde se casa novamente e tem outra filha, Esi. Durante a narrativa iremos acompanhar a vida dessas duas irmãs, que crescem separadas, e de seus descendentes até os tempos atuais.
O livro é narrado em 3º pessoa, a obra é dividida em capítulos e cada capítulo vai contar a história de um personagem, que dará nome ao capítulo, que são intercalados entre os descendentes de Effia e de Esi, como se fossem contos, que podem ser lidos de forma independentes.
No início achei estranho isso, pois queria mais, queria conhecer melhor aquele personagem, queria me aprofundar em sua história. Mas acabei me dando conta que esse era o objetivo da autora: essa sensação de desconexão com o passado, de falta de referências culturais, essa perda das raízes. Quando me dei conta disso:



  
Se já estava gostando da história, passei a AMAR. Achei extremamente perspicaz por parte da autora escolheu narrar essa história dessa forma, acompanhando 7 gerações de descendentes de Maame.
Ao começar esse livro temos de ter em mente que essas pessoas que foram escravizadas perderam seus documentos, o direito de utilizar sua língua materna ou de usar o próprio nome, em suma perderam a própria identidade.
Temos aqui um romance poderoso sobre ancestralidade, sobre cultura, com um impressionante contexto histórico. A autora aborda assuntos bem pertinentes, como é o caso das guerras tribais, incentivadas pelos europeus, onde os perdedores eram vendidos como escravos para os europeus, o que aconteceria com as pessoas vendidas não importava, o que importava era o lucro.
Outro ponto que achei SUPER MEGA interessante é a forma sensível e poética como a autora descreve as variações dos tons de pele, algo que até o momento eu não tinha percebido em outros autores. O que é incrível, levando em conta a enorme variação na pigmentação da pele presente na espécie humana.
Yaa tem uma escrita magnífica, fluída, poética, envolvente e extremamente emocionante, que realmente nos prende. Um trecho que me marcou muito: "Você quer saber o que é fraqueza? Fraqueza é tratar alguém como se pertencesse a você. Força é saber que cada pessoa pertence a si mesma."
Li esse livro na “Maratona 24h em 48h”, e em determinado momento tive de dar uma pausa na leitura, ler algo mais ameno, mais tranquilo, no caso peguei “As Crônicas de Nárnia”, pois são vários socos no estômago, um atrás do outro, deixando-o dolorido, literalmente falando.
Se você for sensível, tiver algum tipo de gatilho com relação a descrições de violências físicas e sexuais, não sei se essa leitura seria legal, mas caso contrário fica aqui a minha imensa recomendação, de um livro necessário, porém aviso: vai preparado para se emocionar e se angustiar...
Com relação a edição tenho que dizer que achei essa capa feia, tem edições muito melhores, com design mais bonitos. Amei muito o trabalho gráfico da edição britânica e da edição canadense, também utilizado na edição francesa.
 
Canadá - Editora Doubleday,  arte também adotada na França.

Reino Unido - Editora Peguim


Então é isso, espero que vocês tenham gostado. Beijos e até a próxima.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Viajei com: Doces, Bacon e Diamantes - L. S. Wolter



Tudo bem??? No post de hoje iremos conversar sobre o livro “Doces, Bacon e Diamante”, chick lit da autora nacional L. S. Wolter, com publicação independente em formato de e-book pela Amazon em 2018.



Sinopse: Lia O’Donnell é uma mulher bem sucedida que possui uma loja de doces no centro da cidade de Dublin. Ela vive na companhia do seu amável e preguiçoso gato, Bacon, que tem que aguentar as crises de carência que, ás vezes, aflige a dona. Contudo, Lia está sempre na companhia de seus melhores amigos: Victor, um italiano gay, que só quer encontrar o homem da sua vida e o deslumbrante Alex Diamond, seu amigo de infância, por quem Lia é perdidamente apaixonada. Alheio aos sentimentos da amiga, Alex apresenta Lia a um de seus colegas de trabalho, o tímido Zac Connolly, que encanta-se por ela. Decidida a declarar-se para Alex, Lia vê tudo mudar em uma festa de Halloween.



Não costumo ler muito chick lit, mas depois da leitura de “O Velho e o Mar” e “O Castelo”, que foram leituras bastante intensas, estava precisando de uma leitura leve e divertida que me aquecesse o coração, e essa foi uma escolha EXCELENTE, pois o livro entrega tudo isso.
Gostei muito dos personagens, tanto os principais como dos secundários. O Vitor é incrível, um amigo e tanto, está ali para o que der e vier, e ainda por cima ama Laura Pausini. Os pais da Lia são umas peças, impossível não rir deles.
Mas como o livro possui cerca de 160 páginas, o ritmo da trama é bem acelerado, o que pode prejudicar um pouco a trama e o desenvolvimento dos personagens, queria conhecer um pouco mais do Vitor, dos pais da Lia, do Zac, isso ajudaria a ter uma conexão maior ainda com eles.
A escrita da L. S. Wolter é bastante fluída e envolvente, deixando aquele gostinho de “quero mais”, temos a história em primeira pessoa e Lia é uma narradora muito divertida.
A autora tinha tudo para terminar a história com um clichê daqueles, mas ela resolveu dar outro foco, o que me agradou MUITO, achei muito legal, em especial o final do Alex, não era o que eu estava esperando, o que me agradou muito e me surpreendeu.
Porém tive alguns probleminhas com relação as atitudes da Lia, que foram egoístas, inconsequentes e totalmente imaturas, até aí ok, às vezes fazemos besteiras, pisamos na bola, erramos, isso é humano, mas as consequências que essas atitudes geraram achei problemática.
Do mesmo jeito que não gosto de ser forçada, de ser manipulada, tenho absoluta certeza que as demais pessoas também não gostariam. Entretanto, quantas vezes nós vimos isso acontecer numa situação inversa, numa situação até mais grave, com esse mesmo resultado??? É algo para pensarmos. Contudo, o erro de uma parte, não justifica o erro da outra.
Algo que preciso comentar é falta de sonoridade. Nós mulheres já temos tanto pelo o que brigar, pelo que lutar, que fica brigando por homem, aff...



Sobre a diagramação tenho de destacar essa capa mega fofa com gatinho fofinho saindo de um cupcake.


Além disso, a cada início dos capítulos temos 3 palavras chaves, que estão relacionadas aos acontecimentos abordados nele, o que é bem legal.
Então é isso, se você curte o gênero essa é uma ótima recomendação, um livro divertido, leve e que foge um pouco do clichê do gênero. Espero que vocês tenham gostado, beijos e até a próxima.