segunda-feira, 23 de março de 2020

Viajei com: Laranja Mecânica - Anthony Burgess - #30 (143 Melhores Livros)



Tudo bem meus druguis? No post de hoje iremos govoretar sobre o zamechati, ujasni, assustador, enfim, sobre o chudesni clássico “Laranja Mecânica”, que é tudo isso e muito mais. “A Clockwork Orange”, de Anthony Burgess, o livro foi publicado originalmente em 1962. Eu li na edição da editora Aleph, na edição comemorativa de 50 anos, com tradução de Fábio Fernandes, que está incrivelmente linda.
A edição especial de 50 anos é em capa dura, impressa em duas cores (preto e laranja), e inclui: ilustrações exclusivas dos artistas Angeli, Dave McKean e Oscar Grillo; trechos do livro restaurados pelo editor inglês; notas culturais do editor; artigos e ensaios escritos pelo autor, inéditos em língua portuguesa;  uma entrevista inédita com Anthony Burgess; reprodução de seis páginas do manuscrito original, com anotações e ilustrações do autor, além de um glossário da linguagem Nadsat (linguagem criada por Burgess para o livro).



Sinopse: Alex é o jovem líder de uma gangue de adolescentes cuja diversão é cometer perversidades e atos de violência pelas ruas de uma cidade futurista governada por um Estado repressivo e totalitário. Depois de cometer um crime que termina em um assassinato, ele acaba preso pelo governo e submetido a um método experimental de recondicionamento de mentes criminosas, que se utiliza de terapia de aversão brutal.



Embora seja o seu livro mais conhecido, comentado e estudado (Sim! Existem inúmeros estudos de cunho político, filosófico e sociológico sobre essa obra), esse está longe de ser o livro preferido do autor.
Burgess comenta que não tinha muitas pretensões com essa obra. Ainda jovem, ele foi diagnosticado como doente terminal, numa estimativa mais otimista, lhe restariam poucos meses de vida. Na tentativa de deixar recursos financeiros para a esposa, Burgess decidiu escrever várias obras, entre elas “Laranja Mecânica”. Por sorte tudo não passou de um feliz erro médico e Burgess viveu por mais 40 anos após o diagnóstico.
Mas do que se trata o livro? A história é narrada em primeira pessoa por Alex, um jovem líder de uma gangue ultraviolenta (não subestimem esse termo, please). Para tornar a leitura mais imersiva, ao mesmo tempo em que provoca uma sensação de estranheza, o autor cria um dialeto próprio, o Nadsat, que é utilizado pelas gangues adolescentes, o que no início provoca uma estranheza e dificulta um pouco o avanço da leitura, mas quando você se acostuma e começa a entender com mais fluidez o texto a sensação de estranheza permanece, dessa vez acompanhada pelo assombro de você estar compreendendo e ter se acostumado com toda aquela violência, algo genial da parte do autor.
Mas com certeza a principal discussão abordada pela obra está relacionada ao tratamento ao qual Alex submetido para “curar” seu comportamento violento e assim ser reintegrado a vida em sociedade sem ser uma ameaça as demais pessoas, levantando as questões: Até que ponto o Estado tem o direito de intervir na vida do cidadão em nome do “bem maior”? Qual seria a solução para a violência em nossa sociedade? O autor não nos dá uma resposta para isso e creio que dificilmente chegaremos a uma.
Este é um livro extremamente atual e muito presente na cultura popular, tendo inspirado várias músicas. Um dos principais responsáveis por essa popularização é sem dúvida o filme de 1971, dirigido por Stanley Kubrick. Achei o filme bem fiel ao livro, dentro do possível.
E aqui confesso que tive mais dificuldades de concluir o filme do que o livro, sou uma pessoa bem mais visual do que imaginativa, então ver o que foi descrito pelo autor retratado na telona foi bem mais impactante.
Com relação as duas obras a principal diferença é o final, pois Kubrick se baseou na edição americana para as filmagens, edição essa que não possui o último capítulo, o 21, presente na edição original (e na da Aleph) e que dá um outro tom a obra.
Independente disso, é impossível você chegar ao final, seja do filme ou do livro, e ficar indiferente. Não considero essa obra uma apologia à violência, mas uma alerta contra o extremismo, que pode levar a tomada de decisões errôneas e pouco eficazes.


DETALHES DA EDIÇÃO COMEMORATIVA
  





















Então é isso, espero que vocês tenham gostado. Beijos a até a próxima.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Viajei com: Meu Nome é Vermelho - Orham Pamuk - PLM #32



Tudo bem? No post de hoje iremos conversar sobre o livro “Meu Nome é Vermelho” de Orham Pamuk. “Benim Adim Kirmizi” foi publicado originalmente em 1998, sendo publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras com tradução de Eduardo Brandão.
  



Sinopse: Narrativa policial, um amor proibido e reflexões sobre as culturas do Oriente se reúnem neste livro. Estamos em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da fuga de Maomé para Meca, o sultão encomenda um livro de exaltação à riqueza do Império Otomano.
Na tentativa de afirmar a superioridade do mundo islâmico, as imagens do livro deveriam ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando intrigas e o assassinato de um artista que trabalhava no livro. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre Negro, que volta a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure.
Construída por dezenove narradores - entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas.



Após a leitura desse livro incrível assisti ao vídeo da Claire Scorzi e achei muito interessante a comparação que ela faz entre os livros “Meu Nome é Vermelho” e “O Nome da Rosa”. Ambos os livros tratam de assassinatos, trazem discussões sobre religião e a arte, além de fazerem um retrato cultural e histórico dos países onde a história se desenrola, e de serem escrito com maestria.
A forma como o autor narra essa história é FANTÁSTICA, a narrativa é feita de forma cronológica e em primeira pessoa por 19 narradores, SIM, temos 19 pontos de vista durante a narrativa, e Pamuk faz isso de forma tão incrível que a mudança de ponto de vista é perceptível, o autor consegue dar características únicas a esses narradores.
Devido a essa descrição eu saquei quem era o assassino antes da revelação, mas o importante dessa obra não é descobri o assassino e sim acompanhar os personagens, o embate entre as culturas ocidental e oriental. O que achei interessantíssimo de acompanhar, pois o autor faz um incrível panorama cultural e histórico da Turquia, com uma vibe “Livros das Mil e Uma Noites”.
Para encerrar vale ressaltar que embora seja uma leitura fantástica essa não é uma leitura rápida e nem fácil, é uma leitura que demanda um pouco mais do leitor, mas que valerá muito a pena chegar ao final da jornada. Então é isso, espero que vocês tenham gostado. Beijos e até a próxima.