segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Viajei com: Frankenstein - Mary Shelley

OLÁ... Tudo bem com vocês???
Aproveitando a onda do mês do horror eu li Frankenstein de Mary Shelley, que embora tenham vários elementos góticos e de terror, não é tão assustador assim (não a ponto de você querer colocá-lo no congelador), e olha que sou medrosa PACAS (para vocês terem uma ideia eu fiquei SUPER impressionado com o livro O Cão dos Baskeville, uma aventura de Sherlock Holmes, mesmo sabendo que ele apresentaria uma explicação lógica para o fato). Bem, agora que vocês sabem que sou uma medrosa, voltemos a Frankenstein.



A obra é muito curta, nessa minha edição da Ediouro contêm apenas 122 páginas, e é considerada a primeira obra de ficção cientifica, e surgiu a partir de um desafio: em 1816, com 19 anos, Mary Shelley, e seu futuro marido, Percy Bysshe Shelley, foram passar o verão a beira do Lago Léman, onde também se encontrava o amigo e escritor Lord Byron e o também escritor John Polidori. Lord Byron propôs que os quatro escrevessem, cada um, uma história de terror. Mary ganhou o desafio, e mais tarde transformou o conto em livro. A versão da gênese da história está narrada no prefácio à terceira edição de seu romance.
O romance relata a história de Victor Frankenstein, que ao contrario do que muitos pensam é um estudante de ciências naturais e não a criatura por ele criada, que se quer tem um nome, sendo chamado ao longo do romance de criatura, monstro, demônio, etc...
A história é narrada através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã. Walton resgata Victor em pleno Pólo Norte, ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas a irmã. Ou seja, a criatura conta sua história a Victor, que conta ao capitão, que por sua conta a sua irmã... Esse fato tira um pouco o crédito da narrativa, pois até que ponto Victor estaria sendo sincero??? Ou qualquer um dos “narradores”???
Outro fato curioso é rapidez com que a criatura aprende a ler, escrever, entre outras coisas, pelo menos é isso que dá a entender a narrativa de Victor ao capitão, ou a narrativa do capitão a sua irmã... NÃO SEI, é quase uma brincadeira de telefone-sem-fio... Mas, como acontece em qualquer obra de ficção científica temos de abrir a mente e aceitar determinados fatos como verdade ou mesmo verossímeis.
Victor Frankenstein é filho de um aristocrata suíço e durante a adolescência dedicou aos estudos das ciências naturais, em especial a alquimia, que já era uma ciência renegada. Aos 17 anos de idade, quando seus pais enviam-no para estudar na Universidade de Ingolstadt, na Alemanha, lhe é apresentada as modernas ciências naturais.
Talentoso e empenhado como era, acaba encontrando o segredo da geração da vida, o qual se recusa a detalhar ao seu interlocutor, o capitão Walton (sendo assim, nós não ficamos sabendo de nenhum detalhe técnico da criação da criatura). De pose desse segredo, Victor dedica-se a criar um ser humano gigantesco, e após dois anos obtém sucesso.
Tudo a mil maravilhas, agora é só receber os “louros” da glória e reconhecimento pelo grande feito... SÓ QUE NÃO. Victor se sente enojado ante a feição horrenda da sua criatura e foge.

"(...) Sua pele amarela mal cobria o relevo dos músculos e das artérias que jaziam por baixo; seus cabelos eram corrido e de um negro lustoso; seus dentes eram alvos como pérolas. Todas essas exuberâcias, porém, não formavam senão um contraste horrível com seus olhos desmaiados, quase da mesma cor acinzentada das órbitas onde se cravavam, e com a pele encarquilhada e os lábios negros e retos. (...)" (cap. 5).

É a partir daí que as tragédias começam a atingir os Frankenstein. E eu não contarei mais nada, para não dar spoiler, mas já adianto que o restante da história é triste ...
Mary não criou apenas uma simples história de terror, há várias alusões religiosas no que tange a relação entre criador e criatura. Mary demostrou também sua preocupação com o grande avanço tecnológico vivido na época, com o inicio da Revolução Industrial – até onde podemos ir, em nome do desenvolvimento? A diferença entre o certo e o errado, o ético e o não ético é uma linha muito tênue, muito difícil de estabelecer, tanto é que o tema “aborto” continua a gerar polêmica e discussões.
Além disso, as consequências decorrentes da utilização de novas técnicas e de novas tecnologias, em qualquer área, só podem ser medidas ao longo do tempo, é uma caixinha de surpresas.
Temas como amizade, família, amor também são abordados. Assim como o preconceito, ingratidão e injustiça também estão presentes, trazendo a discussão sobre: o homem é mal, ou a sociedade o torna mal??? A criatura é sempre injustiçada, por ser repelida devido a sua aparência, mesmo tendo boas ações, ela é agredida antes de ter uma chance de se defender.
Em resumo: gostei muito do livro, em especial da discussão na área da bioética que ele apresenta (para quem não sabe sou bióloga), embora, algumas coisas que já comentei, me incomodaram. Mas fica recomendado a leitura desse grande clássico da literatura, em especial pelo grande peso simbólico que ele possui.
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2 comentários:

  1. Eu li esse livro há muito tempo e confesso que pretendo reler pois apesar de amar essa história achei o livro meio denso e monótono demais, então realmente preciso ler de novo
    bjs

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    1. Realmente, é uma história bem densa... Muitos sentimentos conflitantes... Pretendo rele-la, mas não agora. Beijos.

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