segunda-feira, 14 de março de 2016

Viajei com: Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Olá... Tudo bem com vocês??? Nesse post irei comentar sobre minha experiência de leitura do livro Auto da Compadecida de Ariano Suassuna. A obra é uma peça teatral em forma de auto, em três atos escrita em 1955.

Caso queira comprar o livro, é só clicar no LINK, e se você comprar QUALQUER livro por esse link você ajuda o blog sem nenhum custo adicional.


O legal é que o cenário e o enredo são muito simples, e o próprio Ariano dá algumas dicas para quem deseja encenar a peça. Sua primeira encenação foi em 1956, em Recife, Pernambuco. Posteriormente houve nova encenação em 1974, com direção de João Cândido. A peça foi adaptada para o cinema pela primeira vez em 1969 com o filme A Compadecida.
Foi apresentada em 1999 na Rede Globo de televisão como minissérie, O Auto da Compadecida. Na segunda e mais conhecida adaptação feita para o cinema em 2000, é chamada também de O Auto da Compadecida, nela aparecem alguns personagens como o Cabo Setenta, Rosinha e Vicentão. Eles não fazem parte da peça original, e sim de A Inconveniência de Ter Coragem, também de Ariano Suassuna.
A história se passa no Nordeste brasileiro, e trás uma mistura de cultura popular e tradição religiosa. Ariano se apropria de várias ideias e elementos da tradição da literatura de cordel. Traços de linguagem oral se fazem presente na escrita, demonstrando a classe social do personagem, apresenta também regionalismos pelo fato de a história se passar no nordeste.
A obra é narrada por um palhaço, uma tremenda ironia do autor. E os dois personagens principais são João Grilo e Chicó:

·       João Grilo é o amarelo mais amarelo de Tapeorá, um sujeito astuto, que se vale de sua esperteza para conseguir sobreviver.

·       Chicó é covarde e um mentiroso “inofensivo”, que vive contando suas lorotas, e quando questionado ele sempre responde: Não sei, só sei que foi assim.

Além desse dois personagens a peça conta com:

·       O padeiro - Homem avarento, dono da padaria de Taperoá. Esposo de uma mulher infiel.

·       A mulher do padeiro - Mulher adúltera que se diz santa. Vive agradando seu marido. E Assim como seu cônjuge, é muito avarenta.

·       Padre João - Padre que chefia a paróquia de Taperoá. Muito racista e avarento, visando somente o lucro material.

·       Bispo - Assim como o padre, ele é muito avarento, e vive difamando seu colega, o Frade.

·       Frade - Um homem honesto e de bom coração. Não sabe que vive sendo difamado pelo Bispo.

·       Sacristão - O sacristão da paróquia é um homem desconfiado e conservador.

·       Antônio Morais - Antônio é um major ignorante e autoritário, que usa seu poder para amedrontar os mais pobres.

·       Severino - Severino é um cangaceiro que encontrou no crime uma forma de sobrevivência, já que seus pais foram mortos pela Polícia.

·       Cangaceiro - É um dos capangas de Severino. Vive fazendo de tudo para agradar seu chefe, a quem idolatra.

·       A Compadecida - É a própria Nossa Senhora. Bondosa e cândida, ela intercede por todos no Julgamento.

·       Manuel - É o próprio Jesus Cristo, e também o juiz do povo, julgando sempre com sabedoria e imparcialidade, mas tem o dom da misericórdia. Nesta versão, ele possui a pele negra, o que causa espanto em alguns.

·       Encourado - é a encarnação do Diabo. Vive tentando imitar Manuel, por isso exige reverências pelos lugares onde passa. É o justo promotor do Julgamento, mas diferentemente de Manuel e da Compadecida, não possui misericórdia.

·       Satanás - É o fiel servo do Encourado. Vive fazendo de tudo para agradá-lo, porém é desprezado pelo mesmo.

Essa é uma peça muito engraçada, e trás inúmeras críticas sociais: domínio da igreja, desigualdade social, corrupção, instituição do casamento.

Fica SUPER MEGA RECOMENDADO essa peça de teatral. Espero que tenham gostado. Beijos e até a próxima.

Nenhum comentário:

Postar um comentário