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Mostrando postagens com o rótulo Poemas e Poesias

Quadrinha - Carlos Drummond de Andrade

Quadrilha João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. ( Carlos Drummond de Andrade )

A Dança - Pablo Neruda

Tudo bem com vocês??? Hoje teremos mais um Pablo Neruda. Estou apaixonada pela poesia dela. A DANÇA Pablo Neruda Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio Ou flechas de cravos que propagam o fogo: Te amo como se amam certas coisas obscuras, Secretamente, entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e leva Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, E graças a teu amor vive escuro em meu corpo O apertado aroma que ascendeu da terra. Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho: Assim te amo porque não sei amar de outra maneira, Senão assim deste modo que não sou nem és, Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha, Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho. Antes de amar-te, amor, nada era meu: Vacilei pelas ruas e as coisas: Nada contava nem tinha nome: O mundo era do ar que esperava. E conheci salões cinzentos, Túneis habitados pela lua, Hangare...

Te Amo - Pablo Neruda

Tudo bem com vocês? Hoje teremos um poema do Pablo Neruda. TE AMO! Pablo Neruda Te amo de uma maneira inexplicável, de uma forma inconfessável, de um modo contraditório. Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos e mudar de humor continuadamente pelo que você já sabe o tempo, a vida, a morte. Te amo, com o mundo que não entendo com as pessoas que não compreendem com a ambivalência de minha alma com a incoerência dos meus atos com a fatalidade do destino com a conspiração do desejo com a ambigüidade dos fatos ainda quando digo que não te amo, te amo até quando te engano, não te engano no fundo levo a cabo um plano para amar-te melhor Te amo , sem refletir, inconscientemente irresponsavelmente, espontaneamente involuntariamente, por instinto por impulso, irracionalmente de fato não tenho argumentos lógicos nem sequer improvisados para fundamentar este amor que sinto por ti que surgiu misteriosamente do nada que ...

Versos Ìntimos - Augusto dos Anjos

Tudo bem com vocês??? Hoje quero compartilhar com vocês esse incrível poema de Augusto dos Anjos. Versos Íntimos Augusto dos Anjos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija! Espero que vocês tenham gostado. Beijos e até a próxima.

Namoro a cavalo - Alvares de Azevedo

Olá... Hoje quero compartilhar com vocês um poema que gosto muito chamado  Namoro a Cavalo , que se encontra no livro  Lira dos Vinte Anos  de Alvares de Azevedo: Eu moro em Catumbi. Mas a desgraça Que rege minha vida malfadada, Pôs lá no fim da rua do Catete A minha Dulcinéia namorada. Alugo (três mil-réis) por uma tarde Um cavalo de trote (que esparrela!) Só para erguer meus olhos suspirando À minha namorada na janela... Todo o meu ordenado vai-se em flores E em lindas folhas de papel bordado, Onde eu escrevo trêmulo, amoroso, Algum verso bonito... mas furtado... Morro pela menina, junto dela Nem ouso suspirar de acanhamento... Se ela quisesse eu acabava a história Como toda a Comédia- em casamento... Ontem tinha chovido... Que desgraça! Eu ia a trote inglês ardendo em chama, Mas lá vai senão quando uma carroça Minhas roupas tafues encheu de lama... Eu não desanimei! Se Dom Quixote No Rossinante erguendo a larg...

Água Nascendo - Roseana Murray

  Hoje quero compartilhar com vocês o belíssimo poema da Roseana Murray, que se chama Água Nascendo , vou deixar o link para o blog pessoal dela aqui , que descobri hoje. ÁGUA NASCENDO Roseana Murray Fiz castelos de areia sonhos de vento abri cavernas no mar construí segredos teci com teias de luz as mais delicadas roupagens inventei carruagens adornadas de estrelas para o dia em que te encontrasse e quando te vi o amor era simples o amor não pedia nada mais do que o milagre da água nascendo Espero que tenham gostado. Beijos e até a próxima.

A Moça Tecelã - Marina Colasanti

Hoje gostaria de compartilhar com você um poema lindíssimo da autora Marina Colasanti, chamado “A Moça Tecelã”. A forma com que ela trabalha com as cores, com os jogos de palavras é fantástica. Ilustração do poema publicado em um livro muito lindo pela editora Global. A Moça Tecelã Marina Colasanti "Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear. Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava. Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão  mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. L...

O Mais é Nada - Fernando Pessoa

Olá, hoje quero compartilhar com vocês o belíssimo poema de Fernando Pessoa, “O Mais é Nada”: O MAIS É NADA Fernando Pessoa Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá. Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra. Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos. Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu. Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu. As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces. O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o! Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave! Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é out...

Ódio - Florbela Espanca

Olá... Hoje quero compartilhar com vocês o belíssimo poema da Florbela Espanca, que conheci através da minha tia. Ódio? Ódio por Ele? Não... Se o amei tanto, Se tanto bem lhe quis no meu passado, Se o encontrei depois de o ter sonhado, Se à vida assim roubei todo o encanto, Que importa se mentiu? E se hoje o pranto Turva o meu triste olhar, marmorizado, Olhar de monja, trágico, gelado Com um soturno e enorme Campo Santo! Nunca mais o amar já é bastante! Quero senti-lo doutra, bem distante, Como se fora meu, calma e serena! Ódio seria em mim saudade infinda, Mágoa de o ter perdido, amor ainda! Ódio por Ele? Não... não vale a pena...  Espero que tenham gostado, beijos e até a próxima.

E agora José? - Carlos Drummond de Andrade

OLÁ... TUDO BEM COM VOCÊS??? Faz muito tempo que não compartilho poemas aqui no blog. Hoje resolvi compartilhar um que AMO... JOSÉ E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio   —   e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, ...

A Rosa de Hiroshima - Vinícius de Moraes

Olá... Hoje quero compartilhar com você um poema de Vinicius que fala sobre as bombas atômicas que foram lançadas em Hiroshima e em Nagasaki no Japão... O poema é belíssimo. Ele também foi adaptado como canção por Ney Matogrosso: A Rosa de  Hiroshima Vinicius de Moraes Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de  Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida. A rosa com cirrose A antirrosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada. Segue um vídeo com a canção baseada no poema:

Soneto de Separação - Vinicius de Moraes

Aproveitando a pegada Vinicius de Moraes, quero compartilhar também o belíssimo Soneto de Separação . Esse é o vídeo espetacular feito por André Tanaka. Amei. BJS.